A Reforma tem sido uma força extraordinária para a educação
global.
A Idade Média deu origem às primeiras universidades europeias que
formaram um seleto grupo de estudiosos. Mas na Reforma Protestante foi
desencadeada a busca pela educação universal. Martinho Lutero, professor da
Universidade de Wittenberg, logo solicitou aos magistrados que estabelecessem
escolas para que as crianças pudessem aprender a ler as Escrituras recentemente
traduzidas e se beneficiassem do aprendizado dos antigos. Mais tarde, João
Calvino, no contexto francês, estabeleceu a Academia de Genebra, que se tornou
o centro da teologia reformada.
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| Lutero |
Os métodos educativos dos reformadores refletiam a sua
teologia. O objetivo da alfabetização geral manifestou o princípio da Reforma
do sacerdócio de todos os crentes — todos os cristãos têm o privilégio
espiritual de ler e estudar as Escrituras por si mesmos. Sola Scriptura — as
Escrituras como a única fonte infalível de conhecimento salvífico e de
verdadeira sabedoria — foi apoiada pela pedagogia consistente com a Escritura.
Para os leigos, isso foi efetivado pela alfabetização bíblica e pelos
catecismos. Para os adultos e líderes da igreja, as confissões de fé serviam
como resumos e padrões de doutrina e prática bíblicas.
Os reformadores trabalharam cuidadosamente para fornecer
excelente conteúdo teológico para a educação do seu povo. Os Catecismos Menor e
Maior de Lutero e o Catecismo de Augsburgo foram os primeiros recursos
educacionais do luteranismo. Calvino desenvolveu catecismos e confissões para
Genebra.
Heinrich Bullinger de Zurique escreveu a Segunda Confissão
Helvética, que tem sido estimada em toda a tradição reformada. O
presbiterianismo inicial foi definido pela Confissão Escocesa de John Knox, que
foi substituída pelos Catecismos Menor e Maior de Westminster, bem como pela
Confissão de Westminster. A tradição reformada continental adotou as Três
Formas de Unidade — a Confissão Belga, o Catecismo de Heidelberg e os Cânones
de Dort, o último dos quais define os cinco pontos clássicos do calvinismo. O valor
educacional dos catecismos e dos credos também tem sido reconhecido por
anglicanos, congregacionais e batistas reformados.
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| João Calvino |
As reformas educacionais da Reforma também afetaram os
estudos universitários. O especulativo escolasticismo medieval foi substituído
por uma teologia sistemática bíblica. Uma visão de mundo moldada por uma crença
em um Criador soberano que governa um universo ordenado encorajou a
investigação das ciências empíricas. Os estudos linguísticos foram acelerados.
O latim foi destronado como a única língua acadêmica, uma vez que as línguas
comuns da Europa se tornaram capazes de discussão acadêmica devido à elevação
dessas línguas pela tradução da Bíblia. No entanto, o estudo das línguas de
erudição bíblica — latim, grego e hebraico — aumentou à medida que um clero
treinado se tornou uma realidade. O impacto educacional da Reforma estimulou a
indústria gráfica, produzindo bibliotecas e estudos avançados em várias
disciplinas. Alguns dos renomados centros acadêmicos fortemente moldados pela
Reforma são as universidades de Wittenberg, Genebra, Zurique, Heidelberg,
Oxford, Cambridge e Edimburgo.
Quando os puritanos iniciaram a sua “missão no deserto” na
Nova Inglaterra, levaram consigo um profundo compromisso com as ênfases
educacionais da Reforma. Por exemplo, a declaração de fundação de Harvard, de
1640, diz:
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| Universidade de Harvard |
Depois que Deus nos trouxe a salvo para a Nova Inglaterra, e
construímos nossas casas, providenciamos o que era necessário para nosso
sustento, edificamos lugares convenientes para o culto a Deus e lideramos o
governo civil, uma das próximas coisas que desejamos e cuidamos foi promover o
aprendizado e perpetuá-lo para a posteridade, temendo deixar um ministério
iletrado para as igrejas, quando nossos atuais ministros retornarem ao pó.
O compromisso educacional da Reforma moldou o ensino básico
e superior em toda a América ao longo da história americana e mundial através
das missões globais. Centros acadêmicos americanos, como Yale e Princeton, são
frutos do espírito da Reforma, além de incontáveis ??escolas, faculdades e
seminários, como o Westminster Theological Seminary [Seminário Teológico
Westminster], na Filadélfia, e a recém-criada Reformation Bible College
[Faculdade Bíblica da Reforma], na Flórida. As missões cristãs internacionais
continuam a traduzir as Escrituras, a promover a alfabetização e a estabelecer
escolas de todos os níveis em nações ao redor do mundo.
Finalmente, a ênfase educacional da Reforma resulta da
obediência bíblica à Grande Comissão do Senhor: “Fazei discípulos [ou seja,
aprendizes]... ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”
(Mateus 28.19-20).
Por: Peter Lillback. © Desiring God Foundation.Website: desiringGod.org. Traduzido com permissão. Fonte: The Reformation and Education.
Original: A Reforma e a educação. © Ministério Fiel. Website: MinisterioFiel.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Camila Rebeca Teixeira. Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva.



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